Ben Shapiro: A culpa do sangue judeu derramado leva ao anti-semitismo *

Texto original: Bloodguilt over jews leads to blood libels against jews

Publicado em 16 de julho de 2014

tradução: Samara de Oliveira

Se existe um lugar na Terra que deveria entender o perigo do ódios aos judeus, esse lugar é Frankfurt, na Alemanha.  Em 1933, os judeus foram alvo de boicote; em 1938, os alemães estavam queimando sinagogas. Entre 1933 e 1945, a população judaica da cidade foi dizimada, passando de 30.000 para 602. Atualmente, poucos judeus moram nessa cidade,  sendo a maioria deles soviéticos expatriados.

Então Frankfurt parece um local estranho para um novo rótulo sangrento para os judeus.  Ainda assim, nessa semana, 2.500 pessoas participaram de um protesto, incluindo muçulmanos e neo-nazistas – aliados mais uma vez¹  – apareceram no centro da cidade para gritar contra as ações de defesa de Israel em resposta ao ataque do Hamas na Faixa de Gaza. A polícia ajudou os manifestantes, permitindo que eles usassem um megafone e um veículo para gritar coisas contra Israel. “Vocês judeus são animais”, estava escrito num cartaz.

Enquanto isso, em Paris, muçulmanos atacaram sinagogas, incluindo uma na qual 150 judeus estavam reunidos em luto pela morte de 3 garotos  que foram assassinados pelo Hamas.  Esses muçulmanos, com bastões e cadeiras, entraram nas sinagogas e acabaram ferindo muitos judeus. Nos últimos anos, milhares de judeus franceses mudaram-se para Israel, em meio aos relatos de espancamentos, esfaqueamentos e ataques com machado.

Ao que parece, os europeus estão ficando confortáveis com o velho ódio aos judeus em seu meio, seja ela interno ou importado.

Aqui vai a razão para isso: na maior parte da Europa, a culpa do sangue judeu derramado no Holocausto ainda está sob a cabeça da população. De acordo com uma pesquisa de 2012 da Liga Anti-Difamação em países europeus, 45% dos austríacos, 35% dos franceses, 43% dos alemães, 63% dos húngaros e 53% dos poloneses, afirmaram que “provavelmente é verdade” que “os judeus ainda falam muito sobre o que aconteceu com eles no Holocausto”. Muitos desses que querem avançar e deixar para trás o que aconteceu no Holocausto, procuram uma forma de aliviar a culpa nacional – e que melhor forma de aliviar a culpa do que rotular o Estado judeu como agressor? Afinal, se os judeus se tornaram os vilões, então por que ficar tanto tempo pensando sobre a vitimização deles?

Claro, rotular os judeus como vilões com sede de sangue foi o que iniciou o Holocausto, em primeiro lugar. Adolf Hitler via os judeus como sanguessugas movidas pela ganância e dupla lealdade. Assim pensava boa parte da Europa também. Na mente daqueles que cometeram assassinato em massa, os judeus mereceram, por que, nas palavras de Hitler: “A luta pela dominação mundial será travada inteiramente entre nós – entre alemães e judeus. Todo o resto é ilusão.”

Todos aqueles que hoje em dia rotulam Israel como líder do mal usam a mentalidade de Hitler para retirar sua culpa por causa de Hitler. É por esse motivo que os manifestantes de Frankfurt, ameaçando os judeus, carregavam cartazes comparando os Israel aos nazistas: se os judeus são os novos nazistas, lutar contra os judeus se torna uma obrigação.

Toda Páscoa, os judeus recitam um parágrafo: “em toda geração, eles se levantam contra nós para nos destruir; e o Santíssimo, louvado seja Ele, nos livra das mãos deles!” Os nomes mudam, mas a mentalidade não. E o Deus de Israel está sempre vigiando, mesmo que aqueles que atacam os judeus tenham se convencido de que Ele vai fechar os olhos.

OBS.:

*Título levemente alterado para facilitar a tradução

¹ Os muçulmanos foram aliados do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha durante a 2ª Grande Guerra

Um universo moral despedaçado (Ben Shapiro)

O texto a seguir é uma tradução livre do artigo “A moral universe torn apart“, publicado pelo comentarista político Ben Shapiro (The Daily Wire) em 24 de setembro de 2014. Faz parte de uma coletânea de mesmo nome que pode ser facilmente encontrada para download na Google Play Store (disponível apenas em inglês). Os grifos são meus.

Um universo moral despedaçado

“Eu não me envergonho”, uma mulher jovem diz para uma câmera. “Eu não me envergonho”.

A mulher é Leyla Josephine de Glasgow (Escócia), e ela é uma autodenominada artista feminista performática. Ela está lendo um poema intitulado “Eu penso que ela era uma menina” – um poema celebrado pelo The Huffington Post como

“sem necessidade de desculpas … ela ardentemente declara seu poder sobre seu corpo enquanto nos lembra que uma mulher exercendo seu direito de escolher não é incomum – e nunca deveria ser vergonhosamente varrido para debaixo do tapete.”

O que, exatamente, é esse poema? É Josephine recapitulando o aborto de sua filha. Ela observa que

“Eu sei que ela era uma menina e eu acho que ela pareceria exatamente comigo. Eu contaria para ela histórias sobre seu avô, nós poderíamos alimentar os cisnes no Parque Victoria”.

Então, contudo, ela revela o que fez:

” Eu teria apoiado o direito dela escolher. De escolher uma vida para ela mesma, um caminho para ela mesma. Eu teria morrido por esse direito assim como ela morreu pelo meu. Eu sinto muito, mas você chegou no momento errado.”

Você chegou no momento errado. Logo, o assassinato é justificado.

Pelo menos Josephine tem a honestidade intelectual de admitir que sua filha era de fato uma filha, não um fictício amontoado de células. Mas ao alegremente sentenciar a vida da filha em nome da conveniência, Josephine torna-se a emissária de um profundo e permanente mal. Sua mentira de que entregaria a vida pelo direito da criança escolher a própria vida, quando é eminentemente claro que ela não sacrificaria nem mesmo a menor parcela* de inconveniência para evitar matar sua própria criança, é moralmente doente. A criança dela não escolheu morrer por causa da mãe. A filha dela não teve escolha.

Mas Josephine não se importa. “Não murmure* assassinato para mim”, cospe Josephine.

Enquanto isso, do outro lado do oceano, o criador do Obamacare*, dr. Ezekiel Emanuel, escreveu um texto igualmente nauseante em que ele prega a morte aos 75 anos. Não apenas morte para ele mesmo, imagine você – morte para todos. “Meu pai ilustra bem essa situação“, Emanuel escreve, de modo friamente eugenista.

“Há cerca de uma década, com vergonha por causa de seu 77º aniversário, ele começou a sentir dor no abdômen… Ele de fato teve um ataque cardíaco que o levou a um cateterismo e consequentemente a um bypass. Desde então, ele nunca mais foi o mesmo.”

O pai de Emanuel tem 87 anos e diz que é feliz. Isso não importa. Ele não é mais útil, de acordo com Emanuel.

Emanuel enxerga como uma maravilhosa bondade para o resto de nós o envio dos mais idosos para o carrossel de Logan’s Run* – afinal,

“Nós queremos ser lembrados pela independência, e não como fardos… (deixar para nossos netos) uma memória de nossa fragilidade e não de nossa vivacidade é a pior das tragédias.”

Esse é o culto da morte criado por uma sociedade que valoriza a diversão ao invés da vida. Diversão significa que a morte dos outros fica em segundo lugar; diversão significa que se sua capacidade diminui, sua razão de viver acaba.

Se a América foi criada tendo como fundamento a vida, a liberdade e a procura da felicidade, o culto da morte que a esquerda faz hoje em dia desvaloriza a primeira e destrói a segunda na procura pela terceira. E, no fim, não haverá felicidade, pois felicidade não é hedonismo incessante e sim uma vida responsável e moral. Aparentemente, nós esquecemos essa definição de felicidade há muito tempo. O resultado: uma não-civilização de “Josephines” e “Emanuels”.

OBSERVAÇÕES:

  • Menor parcela = no original esta “iota”, que além de ser uma letra grega, significa “small amount” (pequena quantidade); pode ser óbvio para alguns, mas eu não sabia disso antes, por isso achei interessante colocar essa observação.
  • A palavra para “murmúrio” em inglês é “mutter”, que em alemão significa “mãe” (não sei se foi proposital da autora).
  • Obamacare = medidas referentes ao sistema de saúde dos E.U.A. criadas durante a administração Obama com o suposto objetivo de tornar o atendimento médico melhor e mais acessível à população de baixa renda; entre essas medidas estava o controle dos preços dos planos de sáude, entre outras coisas; custou uma fortuna aos cofres públicos e falhou miseravelmente .
  • Logan’s Run = filme distópico dos anos 1970 sobre uma sociedade hedonista e eugenista; esse carrossel que Shapiro cita é um ritual de sacrifício humano.